19/10/08
Desabafo de cansaço
Entre cruzes nas esquinas, calotas lançadas à beira das guias, pneus furados e trânsito parado; lá vou Eu vivendo e tentando ver alguma bela paisagem a beira do caminho, mudando constantemente as estações do rádio para encontrar boas músicas, evitando olhar os motoristas ao lado para não conseguir uma boa briga.
Assim vou Eu, tentando me livrar de lombadas insanas e irresponsáveis que não respeitam a vida, que dirá quanto ao veículo; buracos que parecem serem feitos ou não fechados propositadamente.
Assim vou Eu, tentando ser um condutor normal me livrando das câmeras cruéis e irracionais que denunciam a sede do faturamento, sem resolver a situação do motivo por lá terem sido instaladas ou punir os inconseqüentes motoristas.
Assim vou Eu, tentando chegar ao trabalho e retornar ao lar sem ter sido afetado pelo demônio do stress causado pelo inevitável trânsito que dilacera vidas e famílias, que são exterminadas ou ficam desamparadas.
Lá vou Eu sem saber se confio, desconfio ou que atitude tomar diante transeuntes que circulam ao meu redor; vendendo, pedindo um trocado para um gole de cachaça ou quem sabe realmente para um alimento; outros de passagem ou me observando com intenções duvidosas.
Lá vou Eu num final de semana, pensar se devo ou não sair de casa com o objetivo de curtir um descanso, digerir o risco de ficar travado em lugar qualquer sem ter um acesso que possa permitir me livrar do embaraço causado pelo nada, talvez obras, desfiles, feiras ou algum motoqueiro estendido ao chão expondo suas vísceras, sem entendermos se foi sua atitude irresponsável ou causado por alguém …; lá vou Eu seguir o caminho indicado pelos ilustres homens que deveriam melhorar o trânsito mas que nos deixam ainda mais confusos. De que forma chegar ao lugar desejado sem perder a tranqüilidade, o ingresso, ou ter tempo suficiente para realizar o passeio proposto.
Dá para imaginar os lamentos e a vida de taxistas, caminhoneiros e de todos que dependem extremamente das vias públicas para o seu sustento.
Aceito a explicação de que muitos dos que ignoram tudo isto, só andam de helicóptero, avião ou moram em algum paraíso onde não presenciam nada do que vejo.
O que fazer, se os que vêem e podem, pouco fazem ou não sabem como fazer. Só me resta continuar indo, olhando, e tentando ignorar para não deixar que se torne alguma razão para estilhaçar meu bom humor e contribuir para motivo de stress compulsivo.
¨Estou melhor e conformado, pronto para um novo dia.¨
Milve
criado por Milve
10:13 — Arquivado em: 

Meu caro amigo Sonhador, você foi preciso em suas reflexões neste texto. Compartilho com você a amargura e o sofrimento pelos dramas que passamos no transito louco de nossas cidades. Imagine a situação que o pobre professor ciclista passa no dia-a-dia deste transito caótico. Paz e harmonia.
Forte abraço
CAUROSA - caurosa.wordpress.com
Comentário por caurosa — 21 21UTC outubro 21UTC 2008 @ 18:21