Sonhador…

NÃO SOU POETA, SOMENTE CONSIDERO IMPORTANTE QUE ESCREVAMOS O QUE TEMOS DENTRO DE NÓS OU QUE OBSERVAMOS NA VIDA E NAS PESSOAS, INDEPENDENTE DO JULGAMENTO DA QUALIDADE; NOSSOS PENSAMENTOS E OBERVAÇÕES NÃO PODEM SIMPLESMENTE MORRER CONOSCO

25/9/08

DESENCONTROS

A adolescência é maravilhosa.
Foi num momento belo que e encontrei uma linda flor
tanto quanto eu, ela com seu caule frágil,
fiquei feliz e a levei ao coração,
plantei-a em um canteiro especial.
Certo dia, senti uma dor estranha
talvez porque eu não soube cuidar,

ou por ainda não conhecer a espécie
Talvez, pela inocência de jardineiro iniciante!
Quem sabe ela estranhou a mudança de local!
Talvez tenha estranhado meu modo de cuidar.
Ou quem sabe! O clima não era apropriado,
enfim, ela murchou, escondendo seu visual,
deixando de me banhar com seu perfume.
Eu, inconsciente, a deixei adormecida.
Continuei a cuidar de meu jardim.
Mesmo sem saber por que,
sempre que ia observar e fazer a poda ,
olhava aquele cantinho especial,
ela sempre mantinha seu caule esverdeado,
o qual não destruí, mantendo a esperança de nova vida,
Eu a observava, porém pouco fazia,
todas as vezes que visualizava o jardim,
era o primeiro local a admirar.
Lá estava ela, serena, passiva e adormecida,
sem presença para me chamar atenção.
Certo dia, quase como encanto,
amanheceu maravilhosa e cheia de vida,
fiquei feliz e me emocionei,
mas infelizmente,
não podia dedicar-me intensamente a ela,
no jardim haviam outras flores,
algumas plantas exigiam minha atenção.
Quem sabe, sentindo meu descuido,
ou talvez por tanto tempo no anonimato,
estava frágil para suportar mudança brusca.
Outra vez, ela se esfacelou, e eu,
continuei a vida como sempre foi,
mantive seu canteiro reservado.
Agora já não mais existia o caule,
somente resistia a vida através de sua raiz.
Quando olhava para aquele cantinho especial,
nada via, mas sentia que ela estava ali.
Assim, se foram passando anos,
quando repentinamente, ela ressurgiu,
encontrando-me machucado.
Voltamos a nos vermos, mesmo esfacelados.
Outra vez, como se por encanto,
lá estava minha flor tentando se fortalecer,
logo corri para acudi-la e acelerar sua recuperação .
Falhei outra vez!
Quem sabe por minhas dores ou excesso de adubo,
para o qual ela não estava preparada.
Quem sabe exagerei na água,
ou até mesmo, quem sabe,
ela estava querendo se fortalecer em outro canteiro,
enfim, voltamos rápido ao estagio anterior;
ela viva, mas escondida,
e eu, só quando havia tempo
a observava calado mas sem esperança.
Hoje, por muitas vezes sinto sua falta,
mas me convenci;
aquele cantinho que reservei,
sempre estará disponível para ela,
mesmo eu cuidando das demais flores,
sempre a estarei sentindo ou imaginando,
ela sempre existira em meu peito.
Não sei se devo ter esperança,
outra vez vê-la viçosa.
O final desta estória,
é que aquela mesma dor estranha,
que no início tocou meu sentimento,
volta ser presente em mim;
Ora adormecida, ora latente,
sinto que assim sempre será nosso destino,
jamais terei certeza, se ela conseguiria
mesmo que por instantes,
deixar que eu sinta seu inesquecível perfume,
e esquecendo os momentos tristes do passado,
transmitir-me um pouco de sua vontade de me pertencer.
Ela sempre se sentirá insegura,
se ao se desabrochar, terá seu cantinho reservado.
Seguro mesmo, é acreditar,
que embora sendo um jeito estranho de se admirar,
entre nós, não pode existir algo diferente,
só se explica com a palavra ¨sentimento¨;
que a vida, ou nós, até mesmo o destino,
insiste em não nos deixar vive-lo.

Milve (Abr/98)

criado por Milve    19:05 — Arquivado em: POEMAS / POESIAS E SENTIMENTOS

1 Comentário »

  1. Não sei se a adolescência é maravilhosa…

    Comentário por TATIANA REZENDE — 4 04UTC outubro 04UTC 2008 @ 13:04

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