14/9/08
SONOLÊNCIA OU REALIDADE…

As ondas dançavam no balé das águas, calmamente, por vezes levantavam suas cristas, como se para me observar, murmuravam sons e lançavam espumas em minha direção, pareciam quererem se aproximar e me tirar do sono; deitado e distante, relaxadamente estirado na rede, eu quase sonhava, acreditando ser realidade o ar com cheiro de mar e vida.
A brisa deslizando-se suavemente sobre minha pele, parecia me acariciar querendo que eu acordasse. De repente! Som de uma sinfonia distante, talvez gorjear de pássaros perdidos na noite; despertei-me, me mantive sonolento, virei-me na rede e observei, não enxergava lucidamente; distante alguém com olhar devagante, sentada sobre uma rocha, observava a tudo, pose sensual e meiga, transmitia desejo e paz, não me contive; levantei, mas me mantive sonolento, me aproximei, mesmo sem ter sido notado, momento este, que tirei-lhe parte do mundo observador, esforçava-me para que me percebesse, sentia que se tratava-se de um encanto que me dominava, e eu deixava, pouco era minha resistência, era muito gostoso, sensação transcendente ao humano, minha alma se encheu de sentimento forte, “amor”, acreditei, eu a observava carinhosamente e me entregava, sentei-me ao seu lado, me alimentei de sua fantasia.
Sofria por não me notar como eu a via.
Senti a sua energia; renasci; percebi o amor.
Sentimentos poucas vezes observado ou sentido foram me preenchendo, eu me deixando levar sem resistência; passou a sorrir levemente olhando em minha direção, percebeu as vibrações profundas que eu lançava, me olhava com carinho, porém distante
Aproximei-me ainda mais, senti o calor de sua pele, por momentos flutuei, o mundo se transformou para mim, tudo estava entre o sono, sonho e realidade
Suspirei com forte emoção, relaxei minhas emoções, ela me comoveu, me acariciou mesmo se mantendo distante, passei a querer entrar em seu coração, quis descobrir seu mundo e dele fazer parte, mesmo inseguro, insistia; mesmo sem controle da situação, abandonei valores, acreditei, sonhei com a felicidade.
Encontrava-me ainda no delírio que imaginava poder ser real, quando de repente, conservando sua doçura, se atira ao mar brandamente, sem que eu tivesse força par impedir; dizendo as únicas palavras dirigidas especialmente a mim, “adeus, fiquei feliz com sua presença, tenho que ir”
Estranho é que continuei me sentindo feliz, a felicidade não se foi, apenas se misturou com a tristeza deixada já no instante de sua partida, deixou ilusões e energias que eu havia perdido; agora sigo mais forte e cauteloso, mais consciente para separar o mundo real da fantasia, um sono que trouxe de volta a realidade, quase sonho. Adeus sereia, delírio do que eu quis sonhar e acreditar.
Milve (dez/99)
criado por Milve
12:33 — Arquivado em: 

Meu caro amigo Sonhador, que belÃssimo texto, poético como sempre. Nos faz viver e sentir os sonhos maravilhosos com personagens do amor. A sereia é realmente o delÃrio fantástico das almas que amam e curtem a proximidade com o mar.
Forte abraço
CAUROSA
Comentário por caurosa — 19 19UTC setembro 19UTC 2008 @ 22:53